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Retenção

Quanto custa o turnover — e por onde começar a reduzi-lo

Publicado em Atualizado em 6 min de leitura

Cadeira vazia em mesa de reunião representando a saída de um colaborador

Quando alguém pede demissão, o primeiro número que chega à diretoria é o da rescisão. Parece o custo da saída, mas é só a parte que dá para ver. O resto se espalha pelo resultado sem que ninguém perceba, e é por isso que tanta empresa convive anos com uma rotatividade alta achando que ela “faz parte”.

Antes de pensar em programa de retenção, vale fazer uma pergunta mais simples: quanto isso está custando, e onde?

O custo que não aparece na rescisão

Pense no que acontece depois que um analista experiente sai. O gestor passa semanas entre entrevistas. A equipe absorve o trabalho dele e começa a fazer hora extra. Um cliente estranha a troca de interlocutor. Quando o substituto finalmente chega, leva meses até conhecer os processos, os fornecedores e os atalhos que o antigo colaborador tinha na cabeça.

Nada disso aparece com esse nome no DRE. Mas está lá.

Na prática, o custo do turnover tem duas camadas. A primeira é a que o financeiro já enxerga: verbas rescisórias, anúncio de vaga, consultoria de recrutamento, treinamento de integração. A segunda é a que costuma pesar mais: o tempo até o novo profissional render o que o anterior rendia, a sobrecarga de quem ficou (que muitas vezes vira a próxima saída), o conhecimento que vai embora e a queda na qualidade do atendimento enquanto a vaga está aberta.

  • Verbas rescisórias
  • Anúncio e recrutamento
  • Seleção e exames
  • Treinamento de integração
  • Meses até o substituto render como o anterior
  • Sobrecarga e hora extra de quem ficou
  • Conhecimento e relacionamentos que vão embora
  • Queda de qualidade no atendimento com a vaga aberta
  • A próxima saída, provocada pelo desgaste
Custos diretos e ocultos do turnover

Em cargos-chave, essa segunda camada costuma ser muito maior que a primeira.

Como calcular a taxa de turnover

O cálculo em si é simples:

Taxa de turnover = ((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ número médio de colaboradores × 100

Depois do número geral, repita o cálculo por área, por gestor, por tempo de casa e por tipo de saída.

Fórmula de cálculo da taxa de turnover

O cuidado está no que se faz com o resultado. A média da empresa quase nunca conta a história inteira. É comum encontrarmos empresas com uma taxa geral razoável e uma única área, às vezes uma única liderança, perdendo gente três vezes mais rápido que o resto. Por isso, depois do número geral, separe por área, por gestor, por tempo de casa e por tipo de saída (pedido de demissão ou desligamento pela empresa). É nesse recorte que o problema aparece.

Como estimar o custo por saída

Escolha uma posição típica de cada área e some quatro coisas: o custo do desligamento, o custo de repor (recrutamento, seleção e as horas internas gastas nisso), o custo de integrar o novo profissional e a produtividade que deixou de ser entregue até ele chegar ao ritmo esperado. Para esta última, uma conta aproximada resolve: salário mensal, vezes os meses até a plena produtividade, vezes o percentual que ainda não está sendo entregue.

Multiplique pelo número de saídas do ano. Quase sempre, o valor final muda o tom da reunião. O turnover deixa de ser “assunto do RH” e passa a ser tratado como o que é: uma despesa relevante, e evitável em boa parte.

Por onde começar a reduzir

Com o custo medido e segmentado, a prioridade costuma ficar óbvia. O erro mais frequente é tentar resolver tudo de uma vez, com um pacote de benefícios para a empresa inteira. Funciona melhor concentrar esforço onde a combinação de volume de saídas e custo por saída é mais alta.

Depois, entender o motivo real. Entrevista de desligamento feita pelo próprio gestor raramente traz a verdade. Quem sai não quer se indispor com quem pode dar referência. Uma conversa conduzida por outra pessoa, com perguntas objetivas, e cruzada com os dados de remuneração, liderança e tempo de casa, costuma revelar o padrão.

E vale olhar com atenção para os primeiros três meses. Quando muita gente sai logo no início, o problema geralmente está na seleção ou na integração, e esse é justamente o tipo de turnover mais barato de corrigir.

Só a partir daí um programa de retenção faz sentido. Com um alvo claro, ele custa menos e dá para saber se está funcionando. Acompanhar o resultado exige poucos indicadores, olhados todo mês pela diretoria.

O ponto de partida

Não existe ação isolada que resolva rotatividade. O que existe é diagnóstico, prioridade e acompanhamento ao longo do tempo. Parece mais lento, mas quem mede primeiro gasta bem menos depois.

Perguntas frequentes

O que entra no custo do turnover?

Custos de desligamento, recrutamento, seleção, integração e a produtividade perdida até o novo profissional render como o anterior. Os custos ocultos costumam ser maiores que os diretos.

Qual é uma taxa de turnover aceitável?

Depende do setor, da região e do tipo de cargo. Mais útil que comparar com uma média de mercado é comparar áreas da própria empresa e acompanhar a tendência ao longo do tempo.

Por onde começar um programa de retenção?

Pela área em que volume de saídas e custo por saída são maiores, e pela compreensão do motivo real das saídas. Programas amplos sem esse recorte tendem a gastar muito e reduzir pouco.

Michelle Lemes, CEO da Realize

Michelle Lemes

CEO da Realize

Psicóloga com mais de 20 anos em gestão estratégica de pessoas. Estruturou mais de 15 áreas de RH e conduziu mais de 50 projetos de subsistemas de RH em empresas médias e familiares.

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